Barrocal

Desde o início que o Barrocal é um projecto que nos apaixona, pela ambição, estética cuidada e por valorizar uma das regiões mais bonitas em Portugal, o Alentejo. Temos acompanhando todo o percurso do Barrocal desde a criação do primeiro site, com entrevistas aos arquitectos Souto de Moura e John Pawson - autores das residências que serão construídas na propriedade - ao lançamento do livro e dos vinhos do Barrocal, mas agora o projecto deu um passo importante com a sua abertura ao público através do novo hotel, spa e restaurante.
Liderado por José Uva, o Barrocal pretende tornar-se num ponto de referência e de de descoberta desta região do Alentejo e certamente o será pela beleza da propriedade e dos novos espaços renovados. Tendo o projecto geral ficado a cargo do arquitecto Souto de Moura e os interiores desenhados pelo atelier Anahory Almeida, o hotel é um magnífico exercício de simplicidade, um elogio modernizado à arquitectura vernacular e aos produtos locais. Decorado com mobiliário vintage português, materiais naturais, tapetes de Arraiolos e iluminação industrial, o hotel está perfeitamente à serenidade da paisagem envolvente, convidando a longas horas de relaxamento e observação das planícies alentejanas.
Para além do hotel, o restaurante e o spa são igualmente pontos de passagem obrigatória no Barrocal. Enquanto no primeiro os produtos locais orgânicos assumem um papel de destaque através de uma filosofia da quinta para a mesa, no spa os tratamentos ficam a cargo dos produtos naturais da Susanne Kaufmann e pode usufruir da sauna e sala de hidroterapia. Ainda pode fazer piqueniques, provas de vinhos, caminhadas e passeios de bicicleta em torno do Alqueva, bem como visitar a a bonita vila de Monsaraz ou Évora. Entretanto espreitem o novo site, é um excelente aperitivo. Mal podemos esperar para visitar o Barrocal!

“Na mesma família há mais de 200 anos, a propriedade tem o seu coração no monte, uma antiga pequena vila agrícola, que foi trazida de volta dos ritmos da vida quotidiana rural como um notável hotel de luxo discreto, situado no meio de velhos carvalhos, oliveiras e vinhedos. Aqui, a sensação de estar em casa está intimamente ligada com o sentimento de pertença à vastidão da terra.”

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Pannier

Apesar de nos deslocarmos de bicicleta para o trabalho diariamente, e fazermos passeios ocasionais com mais de 100 km ao fim-de-semana, nunca partimos à aventura numa longa viagem a pedalar, no entanto é um sonho que vamos decerto realizar um dia. Para viajar durante dias ou semanas em cima de um selim é necessário equipamento especial para a sua bicicleta de estrada, touring ou montanha, e o Pannier é o local ideal para o encontrar. Fundado por Stefan Amato, o site britânico é uma loja, mas mais importante ainda uma comunidade onde corajosos ciclistas partilham as suas jornadas pelo mundo, seja uma viagem no deserto de Atacama ou pela Toscânia. Convicto de que o selim de uma bicicleta é o ponto mais vantajoso para se viajar, Amato criou uma plataforma onde a beleza do ciclismo é revelada de forma exemplar através de fotografia de qualidade e histórias empolgantes. Para além do aspecto motivacional e inspirador, o Pannier fornece tudo o que precisa para partir de viagem, desde um completo guia (repleto de dicas de preparação, tácticas e equipamento necessário), mapas para aventuras no Reino Unido e Europa, bem como uma cuidada selecção de acessórios como vestuário e mochilas, tendas e sacos-cama, ferramentas e fogões. Visita obrigatória para viajantes ou para quem se está a inspirar para conhecer o mundo a pedalar!

“Antes de irmos para a estrada, três temas têm de ser tomados em consideração, nomeadamente, a questão do quando, onde e como fazer a viagem, ninguém salta para a sua bicicleta no calor do momento sem pensar em tais coisas,” Reginald Wellbye, Cycle Touring at Home and Abroad (1909).

“Numa bicicleta vais rápido o suficiente para cobrir um continente num tempo razoável e devagar o suficiente para ver todas as coisas interessantes.” Frank Van Rijn, ciclista e explorador.

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Pensão Agrícola

Bem perto de Cabanas de Tavira, onde passamos as férias de verão, está localizada a Pensão Agrícola, um novo turismo rural. Construída em 1920 como presente de casamento da filha dos proprietários, a pequena quinta manteve a sua actividade agrícola até 1970. Após quatro décadas de clausura e esquecimento, o espaço guardava as memórias do passado, entre fotografias e móveis, elementos integrados no projecto do Atelier Rua. Para além de aproveitarem estes pedaços de história, a missão do Atelier Rua era reconverter a casa original, bem como construir três novos volumes de linhas contemporâneas, que dariam lugar as novos quartos. Integrando de forma brilhante o passado e o presente, a Pensão Agrícola é um bonito destino de férias no Algarve, pela simplicidade, decoração ecléctica e por se poder usufruir do campo e do mar (a 1.5 quilómetros) simultaneamente. Apesar de termos uma casa de família na proximidade, estamos ansiosos para visitar a Pensão Agrícola.

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Revista Mirus

Fundada pelo fotógrafo suíço Stefan Jermann, a revista online Mirus é uma publicação independente dedicada à descoberta de cantos escondidos nas grandes cidades. Sendo cada edição dedicada a um único bairro, a Mirus transmite de forma realista o ambiente e as pessoas que fazem a alma de cada um destes espaços urbanos, seja um ‘quartier’ em Marselha ou um ‘barrio’ em ascensão em Buenos Aires. No terceiro número, a revista dirigiu-se a Lisboa para documentar a transformação que está a ocorrer no Intendente. Conjuntamente com o nosso bom amigo Ivan Carvalho, jornalista e correspondente da Monocle em Milão, Jermann visitou este pequeno pedaço de Lisboa, que promete ser a âncora para a revitalização deste bairro degradado. Mostrando que o empreendedorismo e o activismo social podem ser as receitas de sucesso para a evolução de um bairro e seus habitantes, a Mirus falou com algumas das pessoas que estão a fazer a diferença no Intendente, bem como visitou os espaços locais mais emblemáticos. Para além de falar com Catarina Portas, fundadora d’A Vida Portuguesa (que abriu a sua terceira aqui), e Marta Silva, que gere a Largo Residências (o centro da revitalização cultural do Intendente), a revista visitou a Cervejaria Ramiro, a loja vintage Retrox, o FabLab, o Mercado do Forno do Tijolo, entre muitas outras coisas. Uma leitura obrigatória!

“O que acho interessante no Intendente é que é o único bairro inesperado em Lisboa. Não sei quem vou encontrar na rua e que tipo de pessoas vou conhecer. Por exemplo na Avenida da Liberdade ou no Bairro Alto, esperas ver locais de uma certa classe social, vestidos de certa forma e claro há os turistas. Aqui, é surpreendente. Às cinco da tarde, os emigrantes africanos vão para a mesquita, podes ver adolescentes portugueses a vadiar pelo largo. À noite, pode haver artistas ou um casal estrangeiro a beber uma cerveja no bar. É um ponto de encontro para pessoas de todas as facetas da sociedade.” Catarina Portas

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Casa Modesta

Tendo recuperado uma singela casa de família, os irmãos Vânia e Carlos Fernandes abriram recentemente a Casa Modesta, um turismo rural com vista para a Ria Formosa, no Algarve. Sendo um projecto do atelier PAr, do qual Vânia é uma das três arquitectas fundadoras, a casa reinterpreta a cultura arquitectónica e os saberes construtivos tradicionais com uma visão contemporânea. Aproveitando apenas algumas das paredes da estrutura original, a Casa Modesta conserva no entanto as memórias felizes vividas pelos irmãos na casa familiar, sendo uma homenagem especial ao seu avô, um antigo ‘lobo do mar’. Apesar da modernidade e simplicidade dos espaços, a identidade do local foi mantida não só pela bonita utilização de materiais locais - como tijoleira, azulejos, pedra ou metal - bem como pelo respeito da arquitectura vernacular, que serviu de base a todo o projecto. Este balanço entre o tradicional e moderno também é visível na atenção aos detalhes, tal como a utilização cerâmicas de olarias algarvias, a recuperação de bancos tradicionais, o mobiliário em madeira da Lacecal, especialmente desenvolvido para a casa, ou iluminação da marca berlinense The Home Project.
Possuindo nove quartos, quase todos com pequenos pátios ou açoteias, a Casa Modesta mantém-se fiel à sua origem e oferece uma experiência simples, acolhedora e despretensiosa, algo que Vânia e Carlos transmitem na perfeição. Para além se ser um excelente ponto de partida para explorar a natureza da ria Formosa, para as magníficas praias desta zona do Algarve, o nosso fim-de-semana na Casa Modesta ficou marcada por um delicioso jantar de sushi, elaborado com peixe local pelo chef Tiago e pelas massagens feitas pelo outro irmão dos fundadores.

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Casas Caiadas

Apesar de gostarmos de viajar para o estrangeiro, cada vez mais temos a  certeza que temos a sorte de viver num dos mais bonitos países da Europa e locais como as Casas Caiadas são a prova disso mesmo. A pouco mais de uma hora de viagem de Lisboa, esta pequena ‘aldeia’ localizada no meio de uma grande herdade perto do Sabugueiro, Arraiolos, é o fruto do trabalho de reconstrução de mais de três anos de Paula e Mário Domingues. Tendo recuperado três casas distintas, que faziam parte de um núcleo de antigos moinhos de água, o casal abriu as Casas Caiadas com o intuito de partilhar este bonito pedaço do Alentejo rodeado de oliveiras centenárias, barrocais e um pequeno riacho repleto de vida animal.
Com a ajuda do arquitecto Luís Pereira Miguel, Paula e Mário conseguiram restituir a dignidade a este conjunto de estruturas abandonadas desde há décadas, criando um dos melhores locais para relaxar no Alentejo, entretanto candidato ao Prémio Vilalva da Fundação Calouste Gulbenkian. Constituídas por três edifícios, as Casas Caiadas são ideais para desfrutar com a família ou um grupo de amigos, visto toda a ‘aldeia’ ser reservada como um todo. Enquanto o antigo armazém da palha se transformou numa apelativa suite com paredes de pedra e portadas em azul esverdeado, a casa maior possui dois quartos e uma suite. Para completar o conjunto, o antigo moinho é actualmente utilizado como espaço comum, o local mais social das Casas Caiadas, onde a sala de estar e cozinha estão instaladas. No entanto é no exterior que está um dos pontos mais apelativos deste segredo bem guardado, a piscina-praia de forma circular, perfeita para se refrescar durante o dia ou à noite para observar o céu estrelado.

No fim-de-semana que passámos recentemente em família nas Casas Caiadas, percebemos a paixão de Paula e Mário pelo projecto e o seu gosto irrepreensível, que cruza  o respeito pela historia, simplicidade, materiais naturais e pequenos toques de modernidade que fazem toda a diferença. A visitar!

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Paraíso Escondido

Depois de duas horas de viagem desde Lisboa, a última indicação para chegar ao Paraíso Escondido era Barranco do Inferno, o que não poderia ser mais irónico. Tendo nascido do desejo de Berny Serrão, e do seu marido Glenn, de criar um retiro para a sua família e de oferecer um estilo de vida mais sereno à sua filha, depois de anos a viver em Londres e Singapura, o Paraíso Escondido é como todos os sonhos, melhor quando é partilhado. Dessa vontade de compartilhar esta magnífica localização, no topo de uma colina perto da costa alentejana, a guest house oferece a oportunidade perfeita para apreciar o natureza na sua forma mais pura, relaxar e voltar às raízes. Enquanto o edifício principal, com uma arquitectura típica alentejana, aloja os quartos de hóspedes e os espaços comuns, a estrutura mais moderna serve de residência dos proprietários, local para workshops e spa. Para além de usufruir da piscina panorâmica, observar o magnífico nascer do sol ou passear pelo eucaliptal circundante, o Paraíso Escondido é também um excelente local para desfrutar dos melhores produtos locais - como peixe, queijos, compotas e pão - incluindo alguns da pequena horta orgânica existente na propriedade. Apesar da excelente localização do Paraíso Escondido, o que realmente faz a diferença é a hospitalidade de Berny e Glenn, a sua constante atenção com os hóspedes e a preocupação com os pequenos detalhes. Aconselhamos vivamente a visita ao Paraíso Escondido, um local perfeito para desfrutar por si só ou servir de base para explorar esta bonita zona do Alentejo.

“Acreditamos que o Paraíso Escondido oferece uma experiência serena, enriquecedora e inesquecível. A nossa inspiração e motivação é providenciar a todos os hóspedes memórias mágicas que perdurem para sempre”.

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Crónica #01 - Seja um turista na sua cidade

Passamos grande parte do ano a sonhar ou planear viagens a cidades no estrangeiro, no entanto esquece-mo-nos de explorar a cidade onde vivemos. Redescobrir a nossa cidade não se trata de saber onde fica o último bar de gins ou uma loja que vende revistas raras, mas sim de usufruir o espaço onde nos deslocamos diariamente. Estar alerta, com mentalidade de turista, curioso, torna-se na forma perfeita de encarar as ruas citadinas e sermos mais felizes na vida quotidiana. Reparar nos pormenores arquitectónicos dos edifícios novos e antigos, olhar com atenção para uma árvore no nosso jardim favorito ou descobrir uma florista numa rua por onde nunca tínhamos passado pode ser a solução para nos abstrairmos da agitação e voltar a estar apaixonados pela cidade que chamamos casa.
Andar a pé ou de bicicleta, permite-nos observar tudo com mais atenção, pausadamente e sem a pressão do carro que vem atrás! No meu caso, em Lisboa, a maioria das horas de almoço são para passear nos bairros de Santos, Lapa, Príncipe Real ou Santa Catarina. Por vezes caminho sem destino, e vou escolhendo ruas que chamem a atenção naquele momento. Desta forma, tenho descoberto coisas impressionantes, desde pequenas oficinas de tipografia, palacetes esquecidos pelo tempo e novos locais para observar Lisboa de cima. Não podemos perder a nossa curiosidade infantil, temos de ver tudo com olhos de turista! Bom passeio...

Foto pelo meu bom amigo Artur Lourenço

Entrevista Lisbonlovers

Criada em 2010 por Luís Beato e João Coelho, a Lisbonlovers nasceu da paixão por Lisboa e do seu enorme potencial. Em alternativa aos souvenirs tradicionais, a Lisbonlovers oferece objectos modernos e divertidas, promovendo Lisboa de uma forma mais apelativa e positiva. O Editorial falou com João Coelho, co-fundador da Lisbonlovers.

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