Wim Botha

Quando visitámos, em Agosto do ano passado, a exposição 'Artistas Comprometidos? Talvez’ na Gulbenkian, houve duas instalações que nos marcaram profundamente: ‘Teoria' de Eduardo Basualdo, sobre quem já escrevemos, e ’Solipsis VII’ do sul-africano Wim Botha. A escultural instalação, produzida com poliestireno, madeira e luzes fluorescentes, retratava de forma impressionante o voo e elegância das aves, num misto de luz, asas e movimento colocado em pausa, criando uma atmosfera etérea inesquecível. A série ‘Solipsis’, que faz referência à concepção filosófica Solipsismo - na qual a existência da mente do indivíduo é a única realidade que pode ser directamente verificada - leva esta noção mais longe, assumindo um carácter imaterial, quase como um sonho, algo que só pode existir no imaginário.
Para além de ‘Solipsis’, o trabalho de Wim Botha, nascido em 1974 em Pretoria, é impressionante pelo dramatismo desconcertante. Os bustos ‘Bywoner’ e ‘Witness’, inseridos na instalação ‘ The study for the Epic Mundane’, comissionada para o pavilhão sul-africano da Bienal de Veneza em 2013, são construídos com livros aparafusados e demonstram a paixão de Botha pelos materiais tradicionais como o papel, bem como retratam figuras esculpidas que podem estar a demonstrar amor, lutar ou dançar. Simplesmente brilhante!

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