Entrevista Boa Safra

Na primeira colaboração com O Editorial, a Boa Safra produziu uma edição especial em freixo do banco Zero, desenhado com Luís Porém. Ideal para sentar ou servir de mesa de apoio, o Zero é robusto e especialmente apelativo pelo acabamento com óleo natural. O Editorial falou com Magda Alves Pereira, directora criativa da Boa Safra, e Luís Porém, designer:

Qual a importância dos artesãos na produção das vossas peças?
MAP - Um artesão é antes de mais alguém que cria objectos com dedicação e devoção e faz dessa criação o seu modo de vida, sem ter apenas o lucro como primeiro objectivo. Utiliza técnicas tradicionais e materiais locais, que aperfeiçoa e reinventa. A maioria são técnicas simples e criativas e utiliza materiais locais. Todos estes factores juntos criam aquilo que marca a diferença num produto e no estilo de uma marca local a actuar num mercado global, massificado e tão competitivo. O artesão personifica de forma crua e simples a ligação entre as actividades criativa, produtiva e comercial, a Boa Safra que procura e desenvolve produtos nascidos de um equilíbrio entre estas partes e actividades e encontra em alguns artesãos produtos 'perfeitos'!

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E a importância de produzir em Portugal?
MAP - É gerar riqueza para Portugal. É gratificante contribuir para melhorar as condições de vida das pessoas, para multiplicar as oportunidades de nos realizarmos através do trabalho e da criatividade, enquanto povo e cultura. Num país onde não existiu revolução industrial e a disciplina do design chegou mais tarde do que para a maioria dos países europeus, é vital gerar relações de trabalho entre designers, indústria e mercado. Produzir em Portugal é 'treinar' para fazer melhor, formar equipas e parcerias para construir uma identidade produtiva que gere confiança, valor e reconhecimento.

"É uma alegria criar algo com O Editorial! Tem o mesmo significado de selo de qualidade genuíno.
Um bom exemplo das parcerias que acabo de referir. É bom ver o trabalho da Boa Safra avaliado, divulgado e comercializado por quem conhece de perto o bom design de todo o mundo, sem academismos ou preconceitos chatos e medrosos mas de uma forma bela, simples, viva, positiva!" Magda Alves Pereira

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“Tive como intenção inicial desenhar um conjunto de objectos de linhas simples, sempre rectas. Das primeiras versões até à final fui, sucessivamente, removendo detalhes que tornassem a peça mais complexa, até chegar, a meu ver, ao que achei ser o resumo da minha ideia inicial, ficando apenas com o essencial. O desenho das linhas rectas das pernas, que convergem para o centro do assento, conferem ao banco Zero uma estabilidade visual. De igual modo a utilização de madeira maciça reforça este aspecto de solidez e firmeza”, Luís Porém