Vera Abecassis

This post is only available in portuguese.Lançados em 2003 por Vera Abecassis e Sofia Paiva Raposo, os Guias ConVida são hoje um dos mais práticos auxiliares para se saber as últimas novidades em Lisboa. Divididos por zonas da cidade, os guias vislumbram não só a vida e história de cada bairro, bem como apresentam restaurantes, lojas, hotéis e propostas para compras. Mostrando Lisboa no seu melhor há quase uma década, os ConVida vieram para ficar, sendo uma referência incontornável para lisboetas e turistas. O Editorial falou com Vera Abecassis, que recentemente escreveu para a revista Wallpaper o Top 20 Reasons to be in Portugal: O Editorial: Como tem sido a experiência da ConVida desde o lançamento do primeiro guia? Vera Abecassis: Muito estimulante. No princípio foi uma enorme adrenalina montar o projecto dos Guias ConVida com a Sofia (Paiva Raposo). Cresceu organicamente, sem qualquer business plan. A partir do momento que a ideia brotou, começámos a concretizar desde o primeiro minuto, não houve muito tempo para delinear a edição. Nestes 8 anos de Guias ConVida (desde 2003), crescemos com a cidade, sofremos com ela e tivemos muitas alegrias através dela. Incrível pensar que já tenhamos publicado mais de 5 milhões de guias!

E uma história engraçada relacionada com os guias? As histórias mais engraçadas estão ligadas ao princípio dos guias. Umas das memórias que me traz sempre um sorriso à cara tem a ver com a forma como fotografávamos os produtos do editorial shopping. Não tínhamos estúdio, nem projectores, era tudo fotografado numa varanda de meio metro quadrado na Rua Nova do Almada, com luz natural e com as pessoas na rua a interrogarem-se sobre o que seriam aquelas miúdas debruçadas a fotografar com cartolinas brancas, etc.

"A distribuição dos primeiros guias também teve graça, lembro-me da Sofia e eu numa carrinha atulhada de guias até cima pelas ruas do Bairro Alto, com grandes sorrisos na cara a entregar guias nas lojas, como se fosse a partilha dos pães!"

Qual o teu bairro favorito em Lisboa? Isso é um bocadinho difícil de confessar, ainda se zangam comigo. Tenho um carinho especial pelo Chiado, porque foi o bairro do nosso primeiro guia, é onde estão as nossas relações mais antigas. Mas adoro o Príncipe Real, onde já vivi, a serenidade do bairro e a vida que tem, um bocado à parte do resto da cidade. É um bairro muito bonito, residencial mas que tem também um lado comercial, cultural e de lazer que anima a zona.

Quais os teus locais favoritos em Lisboa? O Cais das Colunas, pela abertura ao rio e pelo tom azul esbranquiçado ao amanhecer, o Largo do Carmo, o Jardim da Estrela, os passeios largos da Avenida da Liberdade. Dos restaurantes, gosto inevitavelmente do Pap’Açorda, gosto muito do Pedro e o Lobo (por todas as razões: comida, ambiente, equipa), do Sr. Zé da Rua das Flores, a minha cantina habitual, e do Casanostra, um clássico ao qual tenho voltado. E adoro a casa-de-jantar verde do Pharmacia. Gosto muito da loja República das Flores, da Véronique, e da Papelaria / Loja de Revistas da Rua do Loreto, pelas canetas, blocos, revistas e pela simpatia e profissionalismo dos donos. E tenho um fraquinho por drogarias de bairro.

"Para Lisboa se tornar uma cidade mais apelativa devia-se apostar não só no passado e no tradicional (o eléctrico 28, a calçada portuguesa, os azulejos), mas também no futuro e no potencial que a cidade tem. Lisboa tem uma capacidade criativa e de inovação que poderia ser mais explorada. Ouvir os lisboetas e saber as suas ideias para a cidade. E também trazer vida para o centro da cidade através da habitação. As cidades tornam-se mais humanas quando têm residentes".

O que te deu mais gozo em escrever para a Wallpaper o Top 20 Reasons to be in Portugal? Deu-me gozo escolher alguns lugares e mostrar a um público internacional o que temos de bom em Portugal. Deu-me gozo poder ajudar (desinteressadamente) pessoas que fazem coisas bem feitas. E gostei de perceber que apesar de serem 20 razões, se fossem o dobro ou o triplo haveria do que falar.

Achas que Portugal se poderia 'vender' melhor lá fora? Sim. Acho que passa por agarrar nos grandes trunfos turísticos nacionais, encontrar a mensagem certa a passar lá para fora e ser consistente na forma como se comunica.