Um Sábado Bem Passado...

This post is only available in portuguese.Para os muitos portugueses (e neste caso lisboetas) que se queixam diariamente do estado do país, da troika, das medidas de austeridade, pode parecer estranho que Lisboa tenha todos os ingredientes para se ser feliz.

O clima, o rio Tejo e o estilo de vida descontraído fazem de Lisboa um dos melhores locais para nos esquecermos... da crise!

Em vez de encararmos este período como mais uma oportunidade para agravar o nosso triste fado, temos de abraçar o momento e criar novos hábitos e formas de encarar o quotidiano. Temos de parar de arranjar desculpas e usufruir da cidade (e da vida) no seu máximo potencial... e na minha opinião a bicicleta é um dos melhores meios para isso.

Para além de ser o meu modo de transporte durante a semana, o veículo de duas rodas serviu para um agradável passeio por Lisboa (como já é habitual). Levando uma pasteleira Yé-Yé emprestada (mais confortável que a minha Scott de estrada), todo o percurso começou no Parque das Nações, com destino ao centro da cidade. Pelo meio cruzei-me com um magnífico trabalho do Vhils, passei pelo Braço de Prata,  Santa Apolónia e Campo das Cebolas, sempre sob um fantástico sol.

Depois de mais ou menos uma hora a pedalar, chegámos ao agitado Martim Moniz, onde uma fascinante mercearia chinesa foi terreno fértil para vários e insistentes 'o que é isto?'. No meio de prateleiras cheias de noodles, woks, cervejas orientais e produtos Knorr com rótulos em mandarim, a senhora chinesa por detrás do balcão tentava explicar a utilidade dos produtos. Uns passos mais à frente, com a Yé-Yé e a Globe bem presas a um gradeamento, e sob o olhar atento de um polícia, entrámos no Centro Comercial local para encontrar um supermercado indiano. Depois de nos perdemos nos apertados corredores, atulhados de caixotes com roupa vinda da China, e de comermos uma deliciosa Pakora de vegetais, lá encontrámos a loja de comida indiana.

Entre misturas de caril, arroz Basmati, e uma clientela diversificada, a verdadeira (e apelativa) Lisboa multi-cultural manifesta-se sem paralelo nos ziguezagueantes corredores deste original Centro Comercial.

Saídos de novo para a influência de um sol sem paralelo, e de caixote de madeira cheio de produtos vindos do outro lado do mundo, regressámos ao Parque das Nações com a sensação de um dia bem passado! Caso a mesmo caminho tivesse sido feito dentro da 'cápsula' de um automóvel, sem sentir os raios de sol na pele e ter a possibilidade de observar a cidade sem vidros pelo meio, não teria sido a mesma coisa...