Show Me

This post is only available in portuguese.Apesar da exploração artística do design não ser um fenómeno recente, a última década tem sido profícua na apresentação de novos projectos na área do ‘designart’. Impulsionada por galerias, marcas de design e leiloeiras, a aposta nas edições limitadas de produtos que cruzam o design industrial com a liberdade da arte tem dado a oportunidade a muitos designers de se exprimirem de uma forma mais livre e experimental. Evitando os constrangimentos técnicos e comerciais do design industrial, devido às reduzidas quantidades produzidas, as edições limitadas permitem aos designers explorar novas dimensões da criação, experimentando novos materiais, técnicas de produção, formas e abordagens conceptuais. Fundada por Diana Sequeira e Guilherme Braga da Cruz, a Show me – design & art gallery tem por objectivo oferecer a um grupo de criativos a oportunidade de desenvolver peças, onde a liberdade criativa e a originalidade assumem um papel de destaque, bem como cimentar a primeira iniciativa do género em Portugal.

“O projecto Show me - design & art gallery surge em Dezembro de 2009, em Braga, com o propósito de divulgar novas abordagens e trabalhos, de designers e artistas plásticos emergentes no panorama nacional e internacional. Após um ano de existência, concretizámos dois dos nossos objectivos: a criação de uma marca de produção de design de autor, a Show me – design editors, e a organização das primeiras exposições dedicadas ao design, convidando o designer Gonçalo Campos e o Estúdio Pedrita a conceber as primeiras peças”, Gonçalo Braga da Cruz

Sendo os designers os principais interlocutores criativos da colecção da galeria nortenha, a escolha dos mesmos obedece a um critério baseado na originalidade, qualidade do corpo de trabalho e vontade da galeria em apresentar novos talentos na área do design. “Sabíamos que queríamos ter um maior número de designers portugueses do que internacionais. Nos portugueses a escolha recaiu em designers que já tinham trabalhado connosco noutros projectos e outros que conhecíamos pessoalmente e que demonstravam ter capacidade, qualidade, visão e atitude. Nos internacionais, fizemos uma pesquisa de jovens designers recém licenciados. Queríamos que fossem maioritariamente trabalhos de mestrados”. Ao invés de outros projectos semelhantes, nas quais as galerias actuam somente como promotores das colecções de edição limitada, a Show me assume igualmente o papel de produtor da maioria das peças apresentadas pela galeria. “Nós queríamos ser produtores de design. Actualmente a Show me – design editors está a produzir cerca de 8 projectos. A finalidade da Show me – design editors é acompanhar, produzir e promover projectos na área do design, cujo resultado se materializa em edições limitadas e peças únicas exclusivas da galeria”, refere o co-fundador.

“Aquando da produção de uma peça valorizamos em primeiro lugar o conceito, em segundo o processo e em terceiro o objecto. Em relação á produção, quando é a Show me a produzir, a nossa escolha recai sobre a pequena indústria e os artesãos locais”, Gonçalo Braga da Cruz

Assumindo-se com a primeira galeria ibérica dedicada à promoção do design, a Show me apresentou recentemente a sua colecção em Lisboa, numa exposição inserida na Experimenta Design 2011. No espaço temporário, instalado no Bairro Alto, foi possível observar ao detalhe toda a colecção do projecto minhoto. Do mobiliário aos objectos, da iluminação às peças mais conceptuais, a linha de edição limitada da Show me apresenta uma narrativa consistente baseada na experimentação e na coerência estética, destacando-se a cadeira ‘Internacional Minhota’ de Dias Ferreira, uma reinterpretação do tradicional banco português com uma aplicação em aço dobrado em forma de origami; os ‘Pixel Vases’ de Julian Bond, uma série de jarras em cerâmica produzidas com uma original técnica de moldagem; o candeeiro ‘Home Camping’ de Paula Sevilla, uma engenhosa reutilização de material utilizado no campismo; e a série de objectos Unpacking de Itay Ohaly, os quais exploram de forma exemplar e inesperada a relação entre o processo de embalamento e o produto final. No seguimento da exposição em Lisboa, a Show me exibiu a sua colecção na prestigiada feira berlinense Qubique, que decorreu no aeroporto de Tempelhof em finais de Outubro. Apresentando algumas das mais influentes marcas a nível internacional, tais como a Vitra, Established & Sons ou Artek, a feira foi uma excelente plataforma para a divulgação deste ambicioso projecto. Representando 16 designers nacionais e internacionais, a experiência na Qubique “foi uma experiencia fantástica, que correu muito bem. Aprendemos imenso, tivemos o reconhecimento do nosso trabalho, divulgámos a nossa marca e galeria, pusemos Portugal na rota das galerias de design. Fizemos também excelentes contactos com a comunicação social internacional, com os galeristas, os designers e o público em geral”, resume Guilherme Braga da Cruz, acrescentando que a Show me tem “tido uma aceitação imensa por parte da comunicação social internacional e por parte das Organizações de Feiras, e por isso temos sido convidados para praticamente todas as feiras da área. Estamos num processo de selecção, pois queremos estar presentes nas mais importantes. Mas podemos já avançar, que estaremos presentes na 3ª edição da Just Mad , em Madrid, de 16 a 19 de Fevereiro”.

Tendo por objectivo aumentar a visibilidade do ‘designart’ em território nacional, a abordagem da Show me “é sensibilizar coleccionadores de arte nacionais para o design. Em Portugal este tipo de clientes não existe praticamente. Mas queremos também sensibilizar e atingir o público geral”, Gonçalo Braga da Cruz

Apesar disso, a internacionalização acaba por ser a fórmula indicada para a expansão da projecto bracarense, incidindo nos “países onde já existe mercado nesta área e os quais possuem grande poder de compra. É o caso da França, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Alemanha,Estados Unidos e Brasil”. Fundada num momento em que as dificuldades já se faziam sentir no mundo da arte e do design, a Show me assume uma postura refrescante perante a adversidade do momento. “Nós somos um projecto muito recente (2 anos), por isso não sabemos como era antes o mercado da arte”, refere Guilherme Braga da Cruz, rematando com a convicção de que “somos persistentes e acreditamos profundamente no nosso projecto. Para contornar a crise? Sempre ouvimos dizer que em tempos de crise há que ser criativo, inovador e sobretudo arriscar, que é o que temos feito desde do início do projecto”.