Serrote

Interview with Nuno Neves and Susana Vilela , founders of Serrote. This post is only available in portuguese.Ressuscitando o interesse sobre a ameaçada tipografia clássica, a Serrote tem vindo nos últimos anos a lançar alguns dos mais belos cadernos de origem nacional. Impressos (a capa) numa velhinha máquina Heidelberg, os práticos companheiros de anotações (um deles viajou em 2009 até ao Polo Norte no bolso de Nikita Vasilevskiy) espelham não só a paixão dos seus criadores pelos métodos de outrora, bem como uma predilecção pelo grafismo de inspiração vintage. Para além dos cadernos, a Serrote tem igualmente apostado na edição de livros de tiragem limitada. Desde o Minho, o Novo Dicionário de Francês ou o recentemente lançado Finlandia, os livros da Serrote destacam-se pelas magníficas ilustrações e abordagem divertida. O Editorial falou com os criadores da Serrote, Nuno Neves e Susana Vilela:

O Editorial: Como surgiu a Serrote? Serrote: No final de 2004 imprimimos o primeiro caderno em tipografia. Depois de algumas recusas de oficinas semi-aposentadas, conseguimos um 'sim' de uma oficina na pré-reforma.

O momento mais memorável? O nascimento do primeiro caderno deixou-nos babados.

"Vamos buscar inspiração às coisas bonitas que nos rodeiam: às árvores, aos passarinhos, aos barcos no Tejo, aos sinais de trânsito, à roupa nos estendais, a viagens ao Portugal profundo".

E uma situação caricata? Projectar um cartão com ornamentos específicos que sabíamos existir numa oficina. Chegar lá pelas 9 da manhã e dar pela falta do armário onde estariam os ornamentos em chumbo. Ficámos a saber que o armário não conseguiu resistir a uma mudança e que cedeu sobre o peso das gravuras, misturando o material das várias gavetas. Ninguém achou que valesse a pena separar os ditos ornamentos, que foram derretidos e transformados em chumbadas de pesca.

Como surgiu a ideia para o livro Finlandia? O Nuno fez Erasmus na Finlândia em 1998/99. Da sua estadia nasceu uma banda desenhada que não chegou a ver o prelo. O tema 'Finlândia' continuou nas nossas cabeças, até que recebemos em 2011 um convite da FILI (Finnish Literature Exchange) para estarmos presentes com outras editoras da área da ilustração e bd num evento paralelo à Feira de Banda Desenhada de Helsínquia. Em três meses conseguimos concluir o livro e fazer o lançamento na Feira!

Qual o caderno ou livro que gostariam de fazer? A lista é grande. Temos muitos projectos na cabeça e alguns em mãos que se vão desenvolvendo devagarinho. Costumam ver a luz do dia, quando por algum motivo passam para o início da lista-de-projectos-a-publicar. Existe, porém, um jogo que está concluído mas que ainda não o conseguimos produzir até agora. E ainda não deve ser para este ano...

"Para Lisboa ser uma cidade mais apelativa deveria haver mais lisboetas. Menos casas abandonadas. Mais bicicletas. Mais mercados e mercearias. Mais comércio tradicional".

Quais os vossos locais favoritos em Lisboa? A lista que se segue é um excerto de uma lista maior que é retirada da gaveta sempre que um amigo de fora nos vem visitar: a Ginger Beer no British Bar (sabe a Sonasol mas o sabor do limão não é assim tão mau); um combinado de bife hamburguês no Galeto (que tem as mais bonitas ementas e montras publicitárias da cidade); o Restaurante Palmeira (já o estragaram entretanto com uma televisão. Porém o cozido da quarta-feira continua convidativo); os Jardins da Gulbenkian (o oásis no meio da cidade); a Feira da Ladra e Miradouro das Portas do Sol (passagem obrigatória quando se sobe à Feira); a Ciclovia de Belém ao Cais do Sodré (alternativa válida à Carris); e a Cinemateca (não sabemos se ainda funciona: deixámos de receber o programa).

Fotos: Serrote, Wocolate e Nikita Vasilevskiy