São Lourenço do Barrocal

This post is only available in portuguese.Assumindo-se cada vez mais como um dos principais destinos turísticos a nível nacional, o Alentejo tem vindo a apresentar nos últimos anos uma série de empreendimentos turísticos que se caracterizam pela qualidade da oferta e forte ligação às tradições regionais e património histórico. Localizado na margem do lago do Alqueva e nas proximidades do belíssimo castelo de Monsaraz, São Lourenço do Barrocal é o perfeito exemplo deste tipo de desenvolvimento sustentável. “Isto não é imobiliário, é apenas valorizar algo que é muito único, que está inserido numa paisagem incrível. Um empreendimento no campo faz sentido se tiver uma terra e uma história bonitas o suficiente para se viajar de onde quer que se viva para passar algum tempo aqui”, refere José António Uva, CEO do projecto do Barrocal. Estando previstos uma série de núcleos residenciais, construídos em diversas fases, o empreendimento do Barrocal destaca-se por vir a proporcionar aos seus futuros proprietários uma conjugação de arquitectura moderna e estilo de vida de uma pequena aldeia. “As pessoas vão-se dar aqui, mesmo que para descansar, um vai ler, um vai escrever uma tese, outro vem passar férias, as pessoas vão-se cruzar, vão buscar pão, o jornal, vão jantar fora, e no fim de alguns dias vai haver uma ligação, que acho que é importante, vai haver uma espécie de comunidade, mesma que passageira”, refere Eduardo Souto de Moura, um dos arquitectos envolvidos no projecto. Com cerca de 780 hectares, a propriedade está na posse da família de José António Uva há quase 200 anos, tendo uma forte ligação às actividades agrícolas há mais de um século. “Apesar de ter crescido em Lisboa, os meus Verões eram passados aqui e ficava sempre fascinado com as histórias que ouvia como costumava ser a vida naquele tempo. Então comecei a pensar como poderíamos trazer a herdade da família para este século. Desenvolvê-la como uma forma moderna de habitar no campo. Comecei a juntar uma equipa para me ajudar a definir a estratégia com a sensibilidade certa. O que realmente nos ajudou foi um artigo num jornal nacional dos anos 20. Trata-se de uma entrevista a um antepassado nosso que explicou com grande detalhe a vida na herdade, quantas pessoas viviam cá, como produziam o azeite, o vinho, o queijo e o gado. Foi um relato incrível de uma aldeia moderna produtiva e auto-suficiente, algo que não era muito comum na época”, descreve o CEO. E foi com este desejo de modernizar a herdade e simultaneamente respeitar a sua enorme riqueza histórica e beleza natural que José António Uva juntou uma equipa de arqueólogos, paisagistas e arquitectos para concretizar a sua ideia. Contando com nomes como Eduardo Souto de Moura ou John Pawson, São Lourenço do Barrocal assume-se como um projecto ímpar, fazendo uma fusão perfeita entre história, arquitectura e natureza. “É extraordinário, chegamos de Lisboa e o que primeiro me chamou à atenção foi a herdade e a vastidão da paisagem. E claro que a maior surpresa foram as pedras neolíticas e a grande vista para Monsaraz, a vila no cimo da colina”, refere John Pawson, reforçando que “pessoalmente acho que há qualquer coisa de pouco relaxante sobre a costa. Se fosse eu a fazer uma compra, faria longe do mar, parece-me natural, há uma tranquilidade no interior”. Já no campo da arquitectura, o britânico revela que no projecto que elaborou as “pedras são essenciais porque ajudam ao estarem em primeiro plano oferecendo um primeiro foco, e com as vistas da vasta paisagem e de Monsaraz, podemos jogar com isso. Queria tê-las no fim dos corredores ou dos quartos. Queremos que a arquitectura seja elementar, similar a Stonehenge ou esses agrupamentos de pedras neolíticas. Por outro lado, tem de ser doméstico e oferecer abrigo e protecção. Mas tem de haver alguma sofisticação de variedade e surpresas. A casa não é definitivamente orgânica, é rectilínea, mas tem uma qualidade geológica através dos materiais”. Já Eduardo de Souto Mouro, responsável pela revitalização dos edifícios existentes da herdade, refere que ficou surpreendido pelo “carácter urbano deste monte, não é uma casa com um pátio e um conjunto de fragmentos que auxiliam a casa mãe, mas sim um mini-universo, uma aldeia. Tem a rua, a praça, os anexos, os claustros, e isso não é normal encontrar em tão bom estado. Toda a gente sabe que no património cada caso é um caso, e este é um projecto difícil e muito interessante porque vamos trabalhar no fio da navalha. Se é demais isto estraga-se, se é de menos não resiste. Uma coisa que acontece nesta área e tem muita graça é a transformação dos usos, como é que os edifícios são feitos para uma coisa e quando adquirem um estatuto de qualidade respondem a outro. Aqui o programa é muito absorvente e é muito interessante, sabendo como é que que o lagar do azeite se pode transformar numa sala de estar ou um bar, como é que algumas dependências agrícolas podem ser casas, e como a vacaria possa ser um restaurante”. Com o início da construção previsto para o primeiro trimestre do próximo ano, o projecto de São Lourenço do Barrocal contará com um hotel, spa, mercado, restaurantes, centro de conferências e residências, bem como continuará a sua actividade como herdade de produção agrícola biológica.