Rodas de Mudança

This post is only available in portuguese.Tendo adoptado a bicicleta como meio de deslocação diário há quatro anos atrás, continuo a imaginar como seria Lisboa sem a maioria dos automóveis que circulam nas suas artérias, evoluindo no sentido de cidades mais verdes como Copenhaga ou Groningen. Apresentando um modelo de cidade totalmente esgotado, Lisboa, como tantas outras metrópoles, necessita de uma mudança radical, na qual o automóvel passaria para segundo plano e as bicicletas e transportes públicos assumiriam um papel de destaque. Desejando promover o veículo de duas rodas como uma alternativa credível ao automóvel e demonstrar que a bicicleta é um importante dinamizador social e um factor humanizador das cidades, Joana Janeiro, Gonçalo Baptista e César Marques criaram a campanha Rodas de Mudança. Demonstrando que todos podem adoptar a bicicleta, a campanha retrata um conjunto de pessoas comuns que utiliza a força do pedal como motor para as suas deslocações diárias. Desmitificando a crença de que a geografia acidentada é um factor impeditivo e de que é necessário ser um atleta para se circular em cima do selim, a Rodas de Mudança é uma excelente iniciativa para promover a bicicleta na comunidade. O Editorial falou como os seus fundadores para saber a ideia por detrás da Rodas de Mudança:

O Editorial: Como surgiu a ideia de criar as Rodas de Mudança? e quem são os seus fundadores? Rodas de Mudança: A ideia de realizar o projecto Rodas de Mudança surgiu da vontade comum que a Joana Janeiro, César Marques e Gonçalo Baptista têm para que a bicicleta seja encarada como um meio de transporte nas nossas cidades. A Joana e o Gonçalo conheceram o César na Iniciativa de Transição de Telheiras, que tem um núcleo que desenvolve iniciativas em prol da mobilidade sustentável no bairro de telheiras. Ambos conhecia-mos campanhas idênticas ao Rodas de Mudança realizadas noutras cidades Europeias, e com resultados surpreendentes ao nível do aumento de ciclistas urbanos. Assim decidimos organizar uma campanha idêntica á escala de Lisboa. Para tal contamos com o apoio da MUBI do fotógrafo Fábio Teixeira, também ele um utilizador da bicicleta.

Quais os principais objectivos das Rodas de Mudança? O objectivo imediato é passar a mensagem de que a bicicleta é um veículo de transporte como outro qualquer, e que em percursos citadinos de poucos quilómetros é o mais eficaz. Assistimos a um crescimento surpreendente do número de vendas de bicicletas e queríamos que essas pessoas que já tem bicicleta em casa se sentissem incentivadas com as imagens de pessoas comuns que fotografamos. Para reforçar o poder das imagens pedimos a cada pessoa que escrevessem uma frase que descreva o porquê de utilizarem a bicicleta no seu dia-a-dia.

Quais os planos para o futuro das Rodas de Mudança? Já fizemos duas sessões fotográficas e em breve anunciaremos uma terceira, desde que criamos o site http://rodasdemudanca.mubi.pt/ temos recebido convites para o apresentar em eventos ligados à cultura da bicicleta e da mobilidade. O nosso objectivo é que o projecto tenha a maior visibilidade possível, como tal estamos á procura de parceiros que nos ajudem a montar exposições para as fotografias. Pensamos que para alem de ser importante haver mais pessoas a pedalarem nas ruas, também é importante sensibilizar os condutores de outros veículos de que os ciclistas também são condutores de um veículo que tem de ser respeitado. Um óptimo meio para fazer passar esta mensagem seria através de mupis espalhados pelas ruas da cidade junto ao trânsito.

O que acham que poderia ser feito para tornar Lisboa uma cidade mais ciclável? Em primeiro lugar têm de haver vontade por parte das pessoas para andarem, os lisboetas têm de perceber que têm muito a ganhar com a substituição do automóvel por meios mais ecológicos, mais sustentáveis e mais práticos, e saudáveis para se deslocarem. Com o número de carros que temos hoje em dia em Lisboa é completamente impossível resolver os graves problemas de trânsito que congestionam a cidade e que degradam o ambiente das nossas ruas. Em nosso entender a cidade têm de ser devolvidas aos cidadãos através de um desenho urbano mais humanizado, com prioridade para o peão, bicicletas e transportes públicos. Deverá ser reduzida a velocidade de circulação no interior dos bairros. Pensamos que a ciclovia só deve ser implementada junto a vias de alto tráfego e de elevadas velocidades, devendo as bicicletas estarem integradas nos tráfego na maioria das vias urbanas.