Ricardo Mealha

This post is only available in portuguese.Fundou a RMAC em meados dos anos noventa com Ana Cunha e foi responsável pelo branding e identidade gráfica de algumas das mais importantes marcas e identidades a nível nacional. Foram vários os projectos que assinou e que vieram alterar o destino do design gráfico nacional. O Editorial falou com Ricardo Mealha sobre o seu novo livro Sampa, um relato fotográfico sobre a emblemática cidade de São Paulo:

O Editorial: Como surgiu a ideia de fazer um livro sobre São Paulo? Ricardo Mealha: Visitei pela primeira vez São Paulo em Outubro de 2009 e apaixonei-me pela cidade. Fui à procura de um livro de fotografia sobre a cidade mas, além dos guias de bolso com muita informação e poucas fotografias, não encontrei nenhum. Por isso, aventureiro como sou, deixei tudo para trás e fui viver uns meses para São Paulo em 2010 para conhecer melhor a cidade, fotografá-la e publicar um livro.

O que mais gostaste de fotografar em São Paulo? São Paulo é uma cidade de contrastes muito grandes e que surpreende pela dimensão, pela grande diversidade de lugares, caos urbano e claro, pelas pessoas. Gostei sobretudo de fotografar as pessoas e a arquitectura da cidade.

Quais os pontos positivos e negativos da cidade? São Paulo parece, à primeira vista, apenas uma cidade feia e caótica onde a especulação imobiliária destruiu a harmonia e beleza que a cidade poderia ter. Mas esse caos urbano tem um encanto próprio que muitos apreciam, eu incluído. A cidade tem uma oferta cultural muito vasta, uma qualidade nos serviços impecável, restaurantes e lojas excelentes e, claro está, pessoas encantadoras.

Os brasileiros aparentam ter uma constante boa disposição, descobriste qual o segredo para tal? Acho que tudo começa por acreditarem que para ser-se feliz é preciso ser alegre. E de facto ter um sorriso na cara e viver de uma forma descontraída torna a vida mais leve.

Como defines a tua experiência no Brasil? Foi uma experiência muito positiva, aconteceram coisas boas e más.  Foi positivo, acima de tudo, por ter conseguido concretizar o meu objectivo:  editar o livro. Não fui apenas mais um turista. Eu procurei viver o dia a dia da cidade como um paulistano.

Já pensaste em fazer um livro similar para Lisboa? Sobre Lisboa não. Talvez sobre Brasília, um dia.

O que mais gostas em Lisboa? Gosto de poder sentir a presença do rio, da luz incrível, da mistura de séculos de história num perímetro tão pequeno, dos bairros populares. Gosto muito da minha cidade.

Como correu a experiência em Berlim? E o que podes revelar sobre esse novo projecto? Correu bem. Estou a filmar para um novo projecto mas ainda é muito cedo para revelar pormenores.

Quais os teus planos para o futuro? Filmar, fotografar e continuar a fazer projectos de design gráfico. Quero fazer um documentário para o ano, a ver vamos.