Via Garibaldi 12

No primeiro andar de um histórico palazzo do século XVI no centro de Génova, a Via Garibaldi 12 afirma-se como uma das mais apelativas lojas de interiores e design a nível internacional, um autêntico exemplo para o comércio independente. Nesta loja familiar podemos encontrar uma ecléctica selecção de produtos, desde livros e capacetes, até serviços e mobiliário. O Editorial falou com Lorenzo Bagnara, que gere a loja com os seus pais e irmão: Como começou a Via Garibaldi 12? Começou de uma ideia dos meus pais em mover o nosso negócio de retalho, começado pelo meu avô como um império em 1939, de Busalla (a 20km de Génova) para Génova. A procura de uma localização demorou 3 anos, mas finalmente, em 2000, encontrámos algo que nos satisfazia as necessidades. Evitámos as ruas comerciais (que agora, após 12 anos, possuem lojas da H&M, Zara e Fnac), preferindo em alternativa um espaço discreto num primeiro andar, anteriormente utilizado como escritório. A Via Garibaldi é o centro político e cultural da cidade – em frente a nós temos a câmara municipal, a câmara de comércio e os principais museus, o Palazzo Rosso e Palazzo Bianco. Todos os edifícios foram construídos por volta de 1500 e na altura a Strada Nuova, como era chamada, foi o centro financeiro do mundo entre 1557 e 1627 quando os banqueiros genoveses controlavam as finanças europeias.

 

Os interiores da loja são magníficos. Como fazem a mistura de objectos modernos com arquitectura clássica? O palazzo foi construído em 1562 e restaurado em cada século com um estilo diferente. Por isso tentamos seguir o ambiente genial de cada espaço com os objectos. O quarto dourado, projectado em 1770 pelo arquitecto de Versailles, Charles de Wailly, foi o mais difícil de mobilar. Para tal, o nosso amigo, o arquitecto William Sawaya, desenhou umas caixas e mesas em vidro feitas por medida com uma mistura de madeira cinzelada dourada e aço escovado. No espaço principal, originalmente um pátio (fechado com um telhado em 1899), existem peças como a Louis XV goes to Sparta de Tal Lancman. Para mim, adequa-se na perfeição ao espaço.

“Quando introduzidos algo na nossa loja a maior preocupação é a exclusividade. Génova não é uma cidade grande, portanto temos de ser diferentes dos nossos concorrentes. Mas o factor principal é igualmente vender algo que gostariamos de ter em nossa casa. Para nós, pode ser um sofá da Zaha Hadid, um cortador de carne Berkel or uma mala de viagem Rimowa. O queremos vender é um estilo de vida.”

 

"Quando introduzidos algo na nossa loja a maior preocupação é a exclusividade. Génova não é uma cidade grande, portanto temos de ser diferentes dos nossos concorrentes. Mas o factor principal é igualmente vender algo que gostariamos de ter em nossa casa. Para nós, pode ser um sofá da Zaha Hadid, um cortador de carne Berkel or uma mala de viagem Rimowa. O queremos vender é um estilo de vida."

Onde encontram os vossos produtos? Essencialmente a nossa pesquisa de novos produtos é feita em feiras com a Maison & Objet, Ambiente, entre outras. Mas sempre que temos a oportunidade de visitar um país estrangeiro em lazer, normalmente damos uma vista de olhos nas lojas de mobiliário para ver se há algo novo e se possivelmente não é distribuído em Itália. A grande preocupação é encontrar produtos antes de ficarem muitos populares. Parte da pesquisa é igualmente feita em blogues e lendo revistas como a Monocle ou Wallpaper. Infelizmente, muitas vezes descobrimos boas ideias que são apenas ‘conceitos’ e ainda não estão em produção, sendo que por vezes ficamos em contacto com o designer para sermos os primeiros a ter a sua última criação quando fica disponível.

Qual a importância da proveniência dos produtos? Essa é uma excelente pergunta. A proveniência e qualidade são um factor essencial no que diz respeito aos objectos que vendemos. Nós também somos produtores através da empresa do meu irmão, a B.Home Interiors, como tal apoiamos na medida do possível produtos que são concebidos e fabricados no mesmo país. Infelizmente nos dias de hoje é muito difícil consegui-lo, visto grande marcas do design italiano, como a Alessi, subcontratarem uma larga parte da sua produção. Hoje, recebi uma palete de produtos Ralph Lauren (nós temos uma pequena selecção de peças desta marca que é muito difícil de encontrar em Itália). Se olharmos para a origem, podemos apenas ler China, Taiwan e Índia. Isto não significa necessariamente que os objectos não sejam bem fabricados, e neste caso em particular, a qualidade é excelente. No entanto, isto significa que grande parte do preço está relacionado com as embalagens, marketing, anúncios e por aí afora. Portanto, as (infelizmente) poucas vezes que conseguimos encontrar algo feito localmente, e também ter a oportunidade de conhecer os criadores ou visitar o atelier onde as peças são produzidas, é um grande feito para nós.

“A nossa vontade de vender um produto é fortalecida porque conseguimos transmitir ao cliente final as nossas emoções, visto termos visto pessoalmente a criação do que está à nossa frente.”

Quais os teus produtos favoritos na loja? Esta resposta pode mudar muito regularmente! De momento temos uma excelente colecção de candeeiros LED da Baccarat, chamados Jesouffl (literalmente eu sopro), desenhados pelo artista conceptual francês Yann Kersalé (ele criou as luzes da Torre Agbar em Barcelona e o Sony Center em Berlim). Foram inspirados pela forma como o vidro é soprado com a boca, por isso dizem imediatamente acerca dos mesmos, mas ao mesmo tempo existe uma concentração de tecnologia escondida como as luzes LED e uma bateria recarregável. Os livros também são um produto favorito meu. É fácil iniciar uma conversa com novos clientes ao apresentar-lhes livros acabados de publicar e também são algo acessível, mas com um grande potencial no interior. E por último, mas não menos importante, a colecção B.Home Interiors desenhada e produzida pelo meu irmão Giorgio. Ele pode fazer em poucas semanas uma peça feita por medida, com peles em 60 cores e até uma costura especial.

Onde vais buscar inspiração? O Leonardo da Vinci escreveu: “Vi no passado, em nuvens e paredes, manchas que me inspiraram a fazer bonitas invenções de muitas coisas”. Isto lembrou-me o título do livro do Sir Paul Smith ‘You can find inspiration in everything* (*and if you can’t, look again!)’. Quando tenho que fazer uma nova disposição para a loja, posso estar inspirado que vi acidentalmente: por exemplo recentemente, durante o Salão Náutico Internacional em Génova, montei uma pequena exposição de modelos conceptuais de iates desenhados pelo arquitecto local Edoardo Miola. Visitei o seu atelier em busca de algumas maquetas arquitectónicas que ele tinha feito para Aldo Rossi e por acaso descobri que fazia os modelos oficiais da Nautor’s Swan.

“Quando decidimos abrir a loja num primeiro andar, em 2001, penso que a nossa ideia nos distinguiu do mundo de consumo em massa. Penso que os nossos clientes se sentem como privilegiados, como os ‘conhecedores’ por saberem como nos encontrar. E, como loja independente, temos uma estrutura mais leve, portanto não temos de pensar em comprar grandes quantidades ou fazer grandes saldos do que não vendemos. Prestamos muita atenção ao serviço, embalagem e em coisas que normalmente o ‘dinheiro não compra’.”

Os teus locais favoritos em Génova e no mundo? Recentemente fui um colaborador para o Wallpaper City Guide de Génova and tive a oportunidade de ver a cidade pelos olhos de um turista. Génova é um segredo bem guardado, apenas a alguns quilómetros de Portofino e Cinqueterre. Foi uma cidade muita rica nos séculos certos, quando havia artistas. Portanto temos uma grande herança artística do século XVI e XVII. Um dos meus locais favoritos é o Palazzo Rosso, a alguns passos da nossa loja, onde existe uma combinação mágica: frescos, arquitectura mas também design moderno. No piso superior pode ser visitado um apartamento de 1954 da antiga directora do museu, Caterina Marcenaro, que viveu lá. Ela pediu ao Franco Albini para combinar o seu mobiliário de design com a colecção de antiguidades dela. O resultado é um espaço increvelmente moderno, até nos dias de hoje. Já nos restaurantes, recomendo o Ostaia de Banchi, uma nova trattoria (num edifício que data de 1528) com cozinha aberta que serve comida da Ligúria com toque diferente. Outro espaço imperdível no centro da cidade é o Pasticceria Liquoreria Marescoti, um café do século XIX (famoso pelos doces Amaretti) que serve o seu aperitivo exclusivo de Marescotto numa taça de champanhe desde os anos vinte. Para um fim de semana perfeito existem duas soluções não muito longe: Villa Rosmarino, na bonita cidade costeira de Camogli e a Villa Sparina, um resort nos montes Gavi que produz um excelente vinho branco. Como disse, vou regularmente a Paris em trabalho. Naquela cidade existem sempre locais novos para experimentar, mas recentemente apaixonei-me pela Le Petite Vendême, uma loja de vinhos familiar que vende sanduíches de charcutaria e que tem umas quantas mesas onde servem cozinha francesa da região de Auverne: É incrível encontrar um local desetes na Rue de Capucines, a um passo dos elegantes joalheiros da Place Vendôme.

Lorenzo Bagnara photo here