Short Story II: Ferryboat Alentejanense

Ficção:... José perdera o cacilheiro das 10h20 por segundos, estava atrasado para uma consulta do médico. Após esperar alguns minutos no terminal do Cais Sodré, onde observou atentamente os outros passageiros, reparando nas suas expressões faciais, umas leves, outras carregadas, ouvindo murmúrios e a ocasional gargalhada, os portões finalmente abriram-se e pôde caminhar até ao envelhecido Ferryboat Alentejanense. Já com a embarcação em movimento pelo Tejo, e preocupado com o resultado das análises que iria ouvir do médico, José pensou que a sua vida tinha sido a que sempre desejara, repleta de momentos felizes com a família, amigos e de muitas viagens nos ferryboats, o melhor local para observar a cidade que sempre amou, Lisboa...

Realidade: Construído em 1957 nos Estaleiros Navais de Viana, o Ferryboat Alentejanense é um dos elementos mais icónicos do imaginário dos lisboetas. Com capacidade para 375 passageiros e 10 veículos, a embarcação monocasco era até à construção da Ponte sobre o Tejo em 1966 um dos principais meios de transporte entre as duas margens.