La Paz

Nascida da paixão pelas viagens, vestuário e artesanato dos quatro cantos do mundo, a La Paz é uma das mais recentes e excitantes marcas portuguesas. Indo buscar inspiração à longa tradição marítima nacional, a linha Portuguese Made transporta o estilo dos pescadores e marinheiros para uma colecção repleta de peças com um toque clássico, grande atenção ao detalhe e materiais de qualidade. O Editorial falou com André Bastos Teixeira, fundador e designer da La Paz: Como surgiu a La Paz ? A La Paz surgiu em 2003 com a ideia de juntar duas actividades de que sempre gostei, vestuário e antropologia . Em 2006 resolvi criar a La Paz Merchant' Studio, onde vendia roupa e artesanato proveniente de vários pontos do mundo, de viagens que ia fazendo ou mesmo através de amigos que traziam também das suas viagens. Sempre houve um bichinho para desenvolver uma colecção, e como nasci um pouco neste meio, sempre foi algo que tinha como objectivo. Daí que comecei a fazer t-shirts durante alguns anos usando estampados, sempre relacionados com culturas e ligados a organizações humanitárias como colecção de t-shirts Wayufina, elaborada com motivos desenhados por indígenas da Amazónia, e a Not Made in China, toda ela inspirada numa viagem ao Tibete em que fundos da colecção reverteram para uma organização que protege a cultura tibetana em Lhasa. No ano passado em conversa com um amigo, que também partilha o gosto por criar roupas, surgiu a ideia que seria altura ideal para fazer uma marca com herança Portuguesa, fosse na imagem ou no know-how da indústria têxtil nacional. Vimos que seria bom usar o nome da La Paz, devido à sua imagem já ser bastante forte. A primeira colecção nasce em Janeiro de 2012 e estreou no Man show, em Nova Iorque.

A minha inspiração vem dos vários anos de trabalho neste meio, da diversidade das ruas de cidades dinâmicas como Londres , Tóquio, Paris , Porto e muitas outras. Também de mercados vintage, o armário do Avô...

Que técnicas tradicionais e artesãos foram utilizados para conceber a colecção Portuguese Made? A primeira colecção teve um forte presença e colaboração com artesãos locais, esta segunda já só teve a sua influência, mas é sem duvida um factor que sempre que seja possível vai estar sempre presente na nossa colecção. As técnicas foram utilizadas nas lãs, calçado e bordados. O importante é utilizar estas técnicas com criatividade e adaptá-las o melhor possível ao nosso projecto.

Que factores valorizas mais quando escolhes peças para a Merchant' Studio? Tentamos fazer um balanço de produtos que sejam comerciais e que tenham uma história interessante, sendo que a sua origem e como são feitos é muito importante nós. Trabalhamos já algum tempo com panos vindos de África e Ásia central. O mais importante é que tenham qualidade e sejam genuínos em todo o seu processo, o mais difícil é arranjar esses produtos a preços razoáveis.

Qual a viagem que mais gostaste de fazer em busca de artesãos? A que teve mais impacto foi uma viagem em Agosto de 2007 ao Tibete. Penso que lá existe uma enorme variedade de produtos interessantes, que podem ser vistos e sentidos em todo o lado, sendo que os tibetanos utilizam o artesanato local em tudo. Homens, mulheres, crianças e até animais utilizam produtos muito fortes com cores intensas.

Quais os teus locais favoritos? Porto, Londres , Havana, Tóquio e Bombaim, bem como Piodão, Costa Vicentina , Himalaias , Corumbau (Brasil) e Colômbia. Os meus restaurantes favoritos são o Cometa (Porto), Haishya (Tóquio) e o iraniano Galleria (Londres). Gosto igualmente de visitar mercados vintage e de antiguidades.