Inovação Intemporal

Fundada em 1973 na região de Verona pela família Benedini, a Agape tornou-se desde então num sinónimo para o melhor mobiliário de casa de banho. Apesar de ter sido criada em plena crise petrolífera internacional, a marca rapidamente se destacou pela visão inovadora e por reformular uma área da casa que permanecia inalterada desde há muito. Desenvolvendo novas formas de interpretar a casa de banho, trouxe este espaço para o centro emocional da casa, essencial para o bem-estar e relaxamento, deixando de assumir tarefas meramente funcionais. A Agape (uma das muitas palavras gregas para Amor) tem vindo ano após ano a surpreender por conjugar o melhor da produção italiana com o talento de designers internacionais como Patricia Urquiola ou Marcio Kogan para desenvolver colecções de elegantes colecções de banho, que alteraram de forma marcante a nossa percepção desta divisão da casa.


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Tal como na década de setenta, aquando da sua fundação, a marca italiana deu um importante passo em 2010, noutro conturbado período da económica global, com o lançamento da colecção Agape Casa, demonstrando o eterno optimismo da família Benedini e confiança no seu ADN, marcado por distintos códigos de sobriedade, elegância, experimentação e qualidade. Inteiramente dedicada à reedição de peças do arquivo do icónico arquitecto Angelo Mangiarotti, que faleceu em 2012, a colecção apresenta de forma brilhante a genialidade e design intemporal do mestre italiano, bem como alarga os horizontes da Agape para todo o universo doméstico. 


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Sendo um dos grandes símbolos do movimento modernista e uma das faces mais reconhecidas do design e arquitectura italianas, Angelo Mangiarotti aplicou o seu talento único a projectos de diversas escalas e disciplinas, sem no entanto perder o rigor, o sentido funcional e a constante busca pela elegância. Guiado por uma forte consciência dos valores morais, o arquitecto conjugou brilhantemente as qualidades da ética e da estética, acreditando que a “felicidade” seria alcançada através da “rectidão”. Enquanto na arquitectura, Mangiarotti demonstrava o seu respeito pela engenharia, ao aplicar princípios industriais aos seus edifícios, no design e na escultura, as linhas orgânicas e fluídas dominaram o seu trabalho, que abrangeu projectos tão distintos como mobiliário, iluminação, acessórios decorativos, televisões ou monumentos públicos.


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Conjugando o traço de um arquitecto, o rigor de um engenheiro, a atenção ao detalhe de um designer e o espírito livre de um escultor, Angelo Mangiarotti assumiu de forma mais concisa todas estas características no mobiliário que desenvolveu ao longo da sua extensa carreira. Composta por peças escolhidas a dedo do seu arquivo pela Agape, em colaboração com o Studio Mangiarotti, a colecção Casa apresenta a veia criativa de Mangiarotti ao longo de cinco décadas, mostrando uma invulgar consistência estética. Apesar de serem autênticos clássicos do design italiano, as cadeiras, mesas e estantes da Agape Casa são extremamente relevantes nos dias de hoje devido ao seu design intemporal, que estabeleceu novos parâmetros de tipologia, forma e construção.
Tendo sido desenvolvida sem “nunca esquecer as reais necessidades dos utilizadores”, a colecção revela uma forma original de lidar com o mobiliário que nos circunda, tornando-o funcional de um modo inteligente e inovador, ao atribuir-lhe uma forma apropriada, sofisticada e invulgar. Criadas com base nos desenhos e modelos originais, as peças foram cuidadosamente analisadas e actualizadas pelo departamento técnico da Agape Casa, mantendo no entanto um completo respeito pela visão de Mangiarotti , bem como pelos aspectos teóricos, estruturais e formais dos projectos.


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Um dos factores que salta à vista no mobiliário de Mangiarotti é o profundo apreço pelos materiais, razão pela qual o arquitecto desenvolveu uma série de engenhosos encaixes, que permitiam aos diversos elementos de cada peça de mobiliário unir-se através da gravidade. Esta aparente simplicidade é traduzida através de um complexo estudo da forma e de um profundo esforço de despojamento visual, sendo perfeito exemplo disso a mesa ‘Eros’ de 1971. Composta por apenas dois elementos, a mesa em mármore é construída sem o recurso a juntas ou grampos, mantendo a posição através da conjugação do peso do tampo e da forma cónica da base, que se torna visível à superfície do tampo e se transforma num sofisticado pormenor decorativo. Resultando igualmente da pesquisa de Mangiarotti no campo dos encaixes por gravidade, a impressionante mesa ‘Eccentrico’ é uma clara afirmação da experimentação e do desejo em desafiar as capacidades do design. Concebida em mármore Carrara branco ou Nero Marquinia, a ‘Eccentrico’ funciona através da fricção entre a robusta base oblíqua e o tampo, que pode deslizar para baixo, se necessário.


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Por sua vez, a estante modular ‘Cavaletto’ também assume um simples encaixe de gravidade como o seu ponto de partida. Produzida inteiramente em madeira, a estante criada em 1955 é composta por um cavalete em forma de V invertido, que permite o empilhamento dos diversos elementos de arrumação, incluindo módulos fechados e prateleiras simples.
Outra solução de arrumação da colecção é a estante ‘Multiuse’. Tal como os seus contemporâneos Charles & Ray Eames ou Charlotte Perriand, Mangiarotti também desenvolveu um sistema de estantes que conjugava madeira e painéis coloridos. Desenhada na década de sessenta, a apelativa ‘Multiuse’ tem num sistema de calhas em alumínio o seu principal elemento estrutural, permitido o encaixe das funcionais portas deslizantes, que tanto podem revelar ou esconder os diversos compartimentos da estante.

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Desenhada em 1978, a cadeira ‘3T’mostra mais uma vez a genialidade de Mangiarotti, aliando simplicidade estrutural e elegância. Dotada de três pernas, esta confortável cadeira, desenvolvida com materiais tradicionais como a pele e a madeira, destaca-se pelos pormenores de construção e pela atenção ao detalhe. A base, em carvalho maciço, é composta por um sólido T em madeira que serve de ponto de união entre as duas pernas frontais e a traseira, que actua como uma espécie de mastro para a ‘vela’ de pele - o assento - que pousa sob a estrutura.


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Apesar de muitas das peças de Angelo Mangiarotti terem sido desenhadas há mais de meio século, a sua simplicidade, qualidade intrínseca e intemporalidade fazem com que cada vez mais membros das novas gerações apreciem a mestria do icónico arquitecto e designer italiano.

Mais sobre a Agape Casa aqui, sobre a Agape aqui e sobre Angelo Mangiarotti aqui.

Originalmente publicado na revista Essencial Macau.