Entrevista: André Letria & Ricardo Henriques

Depois do sucesso de Mar, a Pato Lógico apresenta agora uma exposição sobre o livro na Fabrica Features, em Lisboa. Sendo um dos meus livros de ilustração favoritos, o Mar está repleto de divertida informação sobre essa 'grande piscina' salgada que tantas recordações traz aos portugueses. As palavras, de Ricardo Henriques, acompanham as magníficas ilustrações de André Letria, desde escafandros e marinheiros, a peixes e embarcações, agora disponíveis para venda na exposição. Para além disto, pode ainda colocar mensagens numa garrafa (desenhada na parede), fazer barcos de papel e ver os nós mais conhecidos, a visitar! O Editorial falou com os autores deste premiado livro: Como surgiu a ideia para o Mar? André Letria (AL) - Apeteceu-me começar uma colecção que abordasse uma série de temas de forma abrangente, explicando conceitos ao mesmo tempo que se propunham actividades. O Mar foi uma escolha rápida, óbvia e consensual. A coisa foi-se transformando à medida que fui trabalhando com o Ricardo e a ideia inicial desenvolveu-se até chegar ao livro que anda hoje pelas livrarias. Ricardo Henriques (RH) - Quando conheci o André tivemos logo vontade de pôr ideias no papel e numa série de encontros fortuitos fizemos isso mesmo. Curiosamente começámos por uma ideia que o André já tinha, o atividário do MAR. Foi crescendo e crescendo até que ficou assim, com as palavras possíveis, umas pela importância histórica e outras pela sonoridade. É engraçado que quando nunca lançaste um livro, parece que não tens nenhum compromisso contigo próprio, mas agora, dessa lista de ideias já estou ansioso por pôr pelo menos duas em prática com o André. Como o segredo é centerfold do livro, posso apenas revelar que na sequência do MAR é bem capaz de sair um Futuro.

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"A Pato Lógico nasceu da vontade de fazer livros à minha maneira, sem grandes pressões comerciais ou restrições impostas por editores que gerem catálogos de editoras mainstream", André Letria

Os momentos mais importantes até agora? AL - A vida ainda curta do Pato fica marcada pela edição do primeiro livro (Domingo vamos à Luz), em 2010; pela chegada da Inês Felisberto (gestora de projecto) em 2011, que aumentou a equipa para o dobro; pela primeira ida à Feira de Bolonha, em 2012, de que resultou a venda dos primeiros direitos para o estrangeiro e, pela publicação de um novo autor, para além de mim e do meu pai - o Ricardo Henriques -, em Outubro do ano passado.

Como escolhem os temas para novos livros? AL - Umas vezes são ideias que andam guardadas há anos, à espera de uma oportunidade. Outras vezes nascem por acaso, de conversas espontâneas.

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Qual livro mais gozo vos deu fazer? AL - Cada um à sua maneira traz sempre algum sofrimento. Ou porque o tempo não chega para o trabalho, ou porque não parece estar no bom caminho. O prazer vem depois quando o vemos pronto.

Onde vão buscar inspiração? AL - Aos outros. Outros ilustradores, escritores, cineastas, pintores, etc. Também nas escolas, ouvindo as ideias das crianças com quem fazemos actividades. RH - Como diz o Tom Waits a inspiração é que te vai buscar, o importante é estar com as antenas ligadas.

E uma situação caricata? AL - Temos uma lista com o registo dos nomes que chamam (erradamente) à editora. Alguns exemplos: Corpo Mágico, Pato Ecológico... RH - Quando o Pato Lógico censurou educadamente um sinónimo, pouco educado, de cesto da gávea!

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Qual o segredo para vender livros num mercado dominado pelos formatos digitais? AL - Não sabemos. Aprendemos um pouco todos os dias. Sabemos pelo menos que não devemos fazer os livros a pensar só no sucesso comercial.

"Continuo a acreditar que o sexo vende. Um livro com patos nús seria um sucesso, seria pato e seria lógico", Ricardo Henriques

Locais favoritos em Lisboa? AL - Os miradouros (São Pedro de Alcântara ou Portas do Sol). Mas Lisboa é uma cidade que se descobre todos os dias. RH - Sítios que tirem proveito das colinas e da vista de Lisboa. Miradouro de São Pedro de Alcântara, Miradouro da Senhora do Monte, Elevador da Bica, o telhado de uma certa casa em frente ao Panteão, qualquer avião na hora de aterrar em Lisboa e o Ginjal, local perfeito para ver a cidade.

Exhibition until 30th of April at: Fabrica Features Rua Garrett 83 Lisbon