Crónica #02 - Design Português 2014

É um lugar comum afirmar que a crise aguça o engenho, mas 2013 foi realmente um ano magnífico em termos do aparecimento (ou afirmação) de projectos portugueses em áreas tão díspares como vinicultura, música ou estilo, basta olhar para marcas como a Ideal & Co, Paulino Spectacles ou La Paz. No entanto, e apesar da nossa tradição de produção na área, o mobiliário tem sido sempre um parente pobre na criação de novos e excitantes projectos em Portugal. Apesar de muitas marcas internacionais produzirem em solo nacional e da inovadora De La Espada (co-fundada por um português) ter uma fábrica própria na Costa de Prata, ainda não surgiu uma marca portuguesa que tenha mostrado a nossa verdadeira capacidade de produzir mobiliário de qualidade. Exemplos como a Wewood, Branca Lisboa ou Boa Safra demonstram que já estamos mais perto de alcançar o que outras boas marcas de pequena/média dimensão fazem nos países nórdicos ou Reino Unido, no entanto a falta de atenção ao detalhe e consistência nas colecções ou escolha de designers com pouca cultura estética, deixam sempre um pouco a desejar.
Nas últimas semanas, ao falar com dois designers, cada um director criativo de uma marca portuguesa de mobiliário, ambos me disseram que por vezes é difícil gerir a vertente criativa no meio da gestão diária de uma unidade produtiva, as pressões do mercado e a tentativa de moldar o talento dos artesãos às novas necessidades estéticas. No entanto, e como outras áreas provaram ser possível, o potencial de Portugal é enorme, basta que o observemos com olhos internacionais. Para além da qualidade e pormenores (que fazem toda a diferença) das peças, as marcas portuguesas têm de apostar (e tomar mais atenção) à fotografia de produto, aos designers (uma selecção dos melhores nacionais com uma nova vaga de talentos estrangeiros seria a receita ideal) e no reconhecimento do valor dos artesãos. Deixo-vos um vídeo realizado por Juriaan Booij na fábrica da De La Espada.