Magda Alves Pereira

Interview with the designer Magda Alves Pereira. This post is only available in portuguese.Conhecida por ser a criadora (e fundadora) da divertida e original Bombaamor, Magda Alves Pereira é uma das mais prolíficas designers  nacionais. Para além de ter desenvolvido diversos projectos de interiores, Magda Alves Pereira associou-se à Cerne para desenhar a apelativa linha Benjamim. Renovando a imagem do pinho (madeira muitas  vezes associada a mobiliário de baixa qualidade), a linha Benjamim destaca-se pela simplicidade das linhas e a atenção ao detalhe, sendo uma mais interessantes colecções de mobiliário Made in Portugal. O Editorial falou com Magda Alves Pereira: O Editorial: Onde vais buscar inspiração? Magda Alves Pereira: Tudo o que me desperta a atenção, seja porque motivo for, me serve de inspiração, confio no meu instinto! Antes de mais, acho que a vou buscar aos meus sentimentos e pensamentos que tenho sobre a vida e sobre as pessoas e sua relação com o seu habitat e com os outros, depois parto para uma vertente mais visual, fotográfica, procuro traduzir em imagens esses sentimentos e pensamentos, encontrar forma de os contar por imagens, por fim para um nível material de como materializar as coisas...

Que peça ou projecto gostaste mais de desenvolver? Lembro-me de vários: Um dos primeiros, a Linha Canos da Bombaamor, por estar a fazê-la com uma grande dedicação e uma grande esperança no futuro e também por a fazer muito livre de preconceitos de estilo, moda, se vende, se não vende...

"Outro projecto que adorei foi a Linha Benjamim para a Cerne, quando me vi dentro daquela fábrica, rodeada de boa gente que me dizia: faça! confiamos em si... e eu a dispor dos recursos e daquela oportunidade... senti-me a concretizar um sonho!"

Ultimamente adorei fazer os showrooms da Jular no Algarve e na Azambuja, pelos projectos, mas também muito pelo trabalho em equipa, pela boa relação com todas as pessoas envolvidas, pela história e empresa que é. Inesquecível foi fazer o LISBON ID - uma feira de design que originou a cópia do actual Lisboa Design Show da FIL - inesquecível pela trabalheira que deu, fizémos tudo, toda a concepção, comercialização e montagem do evento (ia morrendo a meio)... a equipa era fabulosa! Deu ainda mais gozo por a FIL não acreditar que resultasse e que acabou por ser um sucesso... que resolveu copiar...

E o que gostarias de desenhar e ainda não o fizeste? Não sei, nunca pensei nisso e agora que penso, não sei... espero ser surpreendida...

Qual foi a coisa mais fora do comum que desenhaste até hoje? Acho que até hoje só desenhei coisas banais...

O que te agradou mais no desenvolvimento da linha Benjamim para a Cerne? Foi o facto de não me ter sido pedido para desenhar uma linha de mobiliário, mas antes de estar a criar um novo caminho para um negócio, um novo conceito, para uma das marcas de mobiliário mais reconhecidas em Portugal e Espanha. Aproveitar o que de melhor tinha, deitar fora o que não interessava manter, sempre em discussão e brainstorming com a administração. O facto de sentir que confiavam em mim, me apoiariam nesse caminho, mesmo que duro e difícil, pois era uma marca que já tinha facturado muito mas que se encontrava em declínio e tínhamos que a reanimar...

"A Bombaamor, ainda que sem loja, continua a bombar, desde 1996, já é um clássico do design Português! Gostava de relançar a marca num ponto de venda associado, em Lisboa. Penso que para breve..."

Como tem sido a experiência com a Boa Safra? Tem sido devagar se vai ao longe, porque a marca arrancou com muito pouco, mesmo muito pouco investimento, a política é ser ecológica e economicamente sustentável. Só investe o que ganha. Curiosamente, em tempos de crise, tem atingido sempre o objectivo de vendas mensal, o que é bom. Temos boas parcerias com designers e indústrias, o que ajuda.

Qual será a melhor forma de internacionalizar o design nacional? Parece simples, é ter bons produtos e promovê-los bem. Quando digo bons produtos, digo produtos que as pessoas queiram comprar, com preço equilibrado relativamente à qualidade, originalidade e funcionalidade. Se fazemos o mesmo que os outros, com menos qualidade, com pior promoção... Quando digo promovê-los bem, é existir por detrás uma marca, uma história, com bons suportes promocionais, com bom serviço ao cliente...

O que mais gostas em Lisboa? Do rio Tejo.