Jornal Pedal

Após muita antecipação, o primeiro número do Jornal Pedal já chegou. Desejando promover a bicicleta enquanto um meio de transporte apelativo, o jornal fundado por quatro amigos apaixonados pelo pedal é dirigido especialmente aos que ainda não adoptaram as duas rodas como forma de deslocação. Entre textos, notícias, produção de moda e entrevista com um dos membros dos Linda Martini, também ele um ciclista urbano, o Jornal Pedal veio para ficar, sendo um excelente interlocutor da bicicleta . O Editorial falou com João Pinheiro, co-fundador do jornal:

O Editorial: Como surgiu a ideia de criar o Jornal Pedal? e quem são os seus fundadores?
João Pinheiro: Fomos quatro pessoas a criar o Jornal Pedal: o Bráulio Amado, designer; Luís Gregório, designer; Filipe Gil, jornalista; e João Pinheiro, estudante e estafeta na Camisola Amarela. Chegámos à conclusão de que esta seria uma óptima oportunidade de contribuir para este cenário que está em mudança, em que o uso da bicicleta se torna cada vez mais presente. Para além de sinalizar e documentar o que se está a passar no mundo em volta da cultura da bicicleta, quisemos disponibilizar gratuitamente um jornal que pudesse chegar ao máximo numero de pessoas, e de alguma forma participar nesta mudança.

"O objectivo do Jornal Pedal é atingir o máximo de pessoas possível — especialmente os que (ainda) não andam de bicicleta. A temática do jornal é declaradamente sobre o mundo das bicicletas, não como objecto físico, mas sim como instrumento sócio-cultural. É nossa intenção fazer toda esta cultura ou movimento mais presente e aliciante a todos os portugueses", João Pinheiro

Que bicicletas utilizam diariamente? e onde as compraram?
Aqui pelo jornal usamos vários tipos de bicicletas, desde uma bicicleta de aço de estrada dos anos 80 convertida a fixed gear com com uma mistura de componentes de pista japoneses e italianos a uma velha pasteleira americana para uso diário e mais relaxado. Desde uma moderna e citadina Charge Plug single speed a uma valente De Vinci pronta para o terreno mais difícil. Temos umas outras bicicletas encostadas na varanda, mas estas são as que usamos mais, apesar de andarmos sempre de olho em futuras bicicletas. Tudo o que temos tem origens diferentes, e-bay, lojas online, lojas locais ou herança de família e amigos.

Qual a vossa loja de bicicletas favorita?
Frequentamos várias lojas, mas sobretudo trocamos experiências com outras pessoas com quem andamos de bicicleta ou partilhamos os mesmo gostos. No entanto para nós são grande referência lojas como a Ciclone, Rcicla, BinaClinica ou a Roda Gira. São mais do que lojas, pessoas com quem fomos criando alguns laços e vamos aprendendo imenso e trocando ideias. De certo modo acabam por moldar um pouco a forma como andamos de bicicleta.

Quais são os vossos locais favoritos para andar de bicicleta?
Temos desenvolvido o gosto em andar na cidade, as longas avenidas de Lisboa e cortar caminho trânsito adentro é uma sensação incrível, não sei se comparável a desbravar trilhos e descê-los em Sintra. Mais recentemente, os Alpes franceses fizeram parte de uma das experiências mais incríveis que alguma vez tivemos. No entanto continuamos divididos entre estrada e montanha. Não sabemos bem qual o nosso local favorito para andar.

"A coisa mais estranha que fiz como uma bicicleta foi dormir com uma! As bicicletas são uma presença constante na nossa vida, por isso é comum ter de partilhar o local onde dormes com o sítio onde as guardas", João Pinheiro

O que acham que poderia ser feito para tornar Lisboa uma cidade mais ciclável?
Este é um tema complicado, há imensas coisas que podem ser feitas de um ponto de vista político e governamental, e bastam 10 minutos em cidades como Amesterdão, Copenhaga ou Berlim para perceber isso. Os exemplos não faltam e cá ainda há praticamente tudo por fazer. No entanto, estas mudanças não fazem sentido sem o aumento drástico de utilizadores de bicicleta, e vice versa. Ou seja, o aumento de bicicletas na cidade vai criar a necessidade de criar mais infraestruturas, mudar o código da estrada, alargamento de horários e um aumento da possibilidade de combinar o uso da bicicleta com transportes públicos, bem como a criação de parques seguros, etc. Nós queremos ter um impacto na forma como se vê o uso da bicicleta e ajudar este movimento a crescer, acreditamos que é neste aspecto que podemos ter alguma influência para que esta cidade seja mais ciclável e é aí que nos vamos concentrar.

Texto: Álvaro Tavares Ramos

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