Cristiano Gozzi

Interview with Cristiano Gozzi, founder of Abici. This post is only available in portuguese.Inspirada em modelos dos anos cinquenta, a colecção da marca italiana Abici é a interpretação actual das bicicletas clássicas do nosso imaginário. Fundada por um trio de amigos – Giuseppe Marcheselli, Stefano Seletti e Cristiano Gozzi (no meio) – a Abici concebeu uma bicicleta na sua forma mais pura, conjugando o charme do passado com detalhes high-tech. Ideais para circular pela cidade ou passear pelo campo, as bicicletas destacam-se pela simplicidade, elegância e atenção aos pormenores. Sendo uma das minhas marcas favoritas desde o seu aparecimento no mercado, O Editorial falou com Cristiano Gozzi, co-fundador da Abici:

O Editorial: Como nasceu a Abici Italia? Cristiano Gozzi: A Abici Italia nasceu em 2005. Nós necessitávamos de criar uma bicicleta que fosse de encontro ao nosso gosto. O mercado estava repleto de bicicletas com tantos opcionais, demasiado branding e símbolos inscritos nelas. A Abici introduziu no mercado as bicicletas de lifestyle e inspirou todos os outros fabricantes. Abici é uma ideia original de pureza e simplicidade que todos estão a tentar seguir.

Onde vão buscar inspiração para criar as vossas bicicletas? Nós vamos buscar inspiração aos catálogos old school de bicicletas. Nós não desenhámos as bicicletas, mas desenvolvemos dez protótipos ao juntarmos partes que nos agradavam. As cores são inspiradas nos tons de antigos carros, Vespas e Lambrettas.

Qual é a tua bicicleta preferida na colecção da Abici? e porquê? A minha bicicleta favorita é a Granturismo Uomo. Foi a primeira bicicleta que criámos. Todo o trabalho conceptual foi realizado neste modelo e o resto da colecção foi inspirada pela primeira bicicleta. Ao criarmos a Granturismo, desenvolvemos um conceito no qual desejávamos eliminar tudo, que na nossa opinião fosse possível retirar das bicicletas comuns que estavam no mercado nessa época. A ideia era ser o mais essencial possível. Por esta razão (não por questões técnicas) nós escolhemos utilizar o travão traseiro de pedal. No começo, a nossa primeira Granturismo apenas tinha um travão, o traseiro de pedal, o que permitiu retirar todos os cabos e alavancas dos travões da estrutura da bicicleta. Como a famosa Coco Chanel disse: “é sempre possível retirar algo de um vestido bonito”.

Qual é a tua loja de bicicletas favorita? Nós também temos uma loja de bicicletas no nosso showroom, mas não vou dizer que é a minha preferida. A minha loja favorita é um local onde se pode andar em torno das bicicletas, tomar um café ou conversar com o dono ou o mecânico, onde se pode encontrar um ambiente acolhedor. Infelizmente não existem muitas lojas assim, mas cada vez mais vão abrir no futuro. Lojas onde as bicicletas estão empilhadas ou arrumadas sem critério, fazendo-as parecer todas iguais ou simples pedaços de metal, têm menos tráfego a cada dia que passa. Uma excelente loja é a En Selle Marcel em Paris, a Adeline Adeline em Nova Iorque ou a Cykelbanditten em Copenhaga, onde te podes sentar, ler umas revistas, tomar um café e ouvir música.

Qual é o teu local preferido para andar de bicicleta? O meu local favorito para andar de bicicleta é o campo em torno da cidade onde vivo, onde foram construídas muitas ciclovias nos últimos anos. É possível andar da minha cidade (Viadana), perto do Rio Pó, até Mantova e o Lago Garda. Pode-se continuar até às montanhas nas Dolomitas se for esse o desejo, é fantástico. Não é apenas uma volta interessante, mas também se encontra bastantes estabelecimentos tradicionais, onde se pode beber um bom copo de vinho e comer algum queijo local e salame. Depois é necessário voltar à bicicleta para queimar todas as calorias.

Qual foi a coisa mais estranha que fizeste com uma bicicleta? Penso que foi vestir-me como uma ‘gota’, que se insuflava com o vento, e andar na Abici Velocino, no centro de Milão, conjuntamente com outros trinta ciclistas que estavam vestidos da mesma forma. Isto foi durante o BFF (Bicycle Film Festival).

Na tua opinião, o que é necessário para criar cidades mais amigas das bicicletas? São necessárias mais ciclovias nas cidades, mas igualmente mais infra-estruturas para estacionar as bicicletas tão seguramente quanto possível, bem como haver a possibilidade de transportar bicicletas em todos os comboios, autocarros e táxis, como fazem em Copenhaga. Eu gostaria de ver mais bares e restaurantes amigáveis para com as bicicletas. Penso ser muito importante iniciar a educar as nossas crianças e ensiná-las que se é ‘cool’ quando se anda de bicicleta e respeita o ambiente e não quando se conduz um automóvel carro e dispendioso. Alguns media estão a promover as bicicletas mais do que anteriormente, mas infelizmente a maioria está a fazê-lo porque está na moda agora. Eu concordo que se andas de bicicleta, deverá ser numa bonita, isso é o que fazemos. Nós produzidos bicicletas com estilo, mas é importante entender todo o significado da bicicleta. Estamos agora a experienciar uma mudança muito importante: os sistemas nos quais vivemos durante anos estão a colapsar, necessitamos de abrandar, pensar no que estamos a fazer, precisamos de respeitar o ambiente. O mundo não nos pertence, temos que cuidar de cuidar dele para as próximas gerações.