Artur Lourenço

Interview with photographer Artur Lourenço of Diário de Lisboa. This post is only available in portuguese.Captar a energia e a diversidade cultural de uma cidade como Lisboa pode parecer uma tarefa árdua, mas o blogue Diário de Lisboa consegue executá-lo de forma exemplar. Criado pelo fotógrafo Artur Lourenço, o interessante blogue regista há mais de dois anos a vida dos lisboetas e seus bairros, bem como alguns dos segredos mais bem guardados da capital. Desde mercearias antigas, restaurantes, jardins, miradouros, cafés e recantos envelhecidos pelo passar do tempo, o Diário de Lisboa é sem dúvida um blogue a visitar para todos os que desejem ver a cidade no seu melhor! O Editorial falou com Artur Lourenço sobre a sua paixão por Lisboa: O Editorial: Como surgiu a ideia de criar o Diário de Lisboa? Artur Lourenço: Essencialmente surgiu por gostar tanto de Lisboa. A minha intenção é mostrar uma Lisboa feliz, que vale a pena, valorizar o que tem de bom e positivo. Surgiu porque me apercebi, e falo também de mim próprio, que raramente valorizamos o que nos é próximo tendo tendência para valorizar o que está longe, surgiu porque me parece que raramente reparamos em coisas que valem a pena, em pormenores, é tão fácil passarmos ao lado de coisas interessantes e nem repararmos.

Gostas mais de fotografar pessoas ou locais? As duas coisas, embora tenha mesmo muita dificuldade na abordagem das pessoas. Acho que as duas coisas se complementam. As pessoas são obviamente o mais importante pois sem elas a cidade não existe, e existem pessoas tão interessantes em Lisboa. Mas gosto muito das lojas antigas e tradicionais, de as misturar com as modernas que valem a pena, o mesmo acontece com os locais e com a paisagem. Gosto muito desta complementaridade entre o antigo e o novo.

Quais foram os momentos que mais gostaste de captar? e porquê? Isso é difícil de dizer. Mas sinto muitas vezes uma grande felicidade, por conseguir captar este ou aquele momento. Recentemente, entre outros, gostei muito de fotografar um casal no bairro Alto. Gostei muito dessa fotografia sobretudo pela espontaneidade do momento. Podia ser combinado ou a pedido, podia até ter ficado banal, mas partiu deles o beijo em cima de duas bicicletas e eu acho que ficou muito bem. Recordo-me também de duas fotografias feitas a duas senhoras com bastante idade, uma na praça da Figueira e e outra no Terreiro do Paço. São duas fotografias que gosto muito, mas poderia falar de outras.

Quais os teus locais favoritos em Lisboa? Restaurantes, lojas. etc... Bom, eu nem sempre conheço ou comi, por exemplo, em Restaurantes que coloco no blogue. Muitas vezes faço-o apenas por questões estéticas ou de puro agrado visual. O meu Restaurante preferido em Lisboa chama-se Casa da Amendoeira, mas gosto muito de jantar em Alfama, por exemplo, sobretudo no Verão, no Pátio 13 ou no Stº Antoninho. Adoro Alfama. Gosto também muito das antigas pastelarias, adoro Pasteis de Nata ou o bolo Rei da Confeitaria Nacional. Gosto também de muitas novas lojas que estão a surgir. Gosto de entrar nas livrarias da Baixa-Chiado ou nas lojas da zona do Príncipe Real...

O que mais gostas em Lisboa? Os bairros históricos, sobretudo Alfama-Mouraria-Castelo-Graça, a zona ribeirinha, o Chiado, o Parque Florestal de Monsanto, os miradouros, os jardins... Da gastronomia, das noites de Verão...

O que poderia ser feito para Lisboa se tornar uma cidade mais atractiva? Um maior investimento na recuperação, conservação e defesa do Património, um maior cuidado com zonas importantes, com as vistas, com a paisagem (é vergonhoso o que se passa na Ribeira das Naus, no miradouro de Stª Luzia ou na degradação e abandono dos bairros históricos). É necessário um maior investimento na cultura. Numa cultura de cidade que atraia pessoas para nela viverem e se sentirem bem, é necessário alterar todos os conceitos em matéria de mobilidade, dar prioridade ao transporte público e à bicicleta. Dar prioridade ao eléctrico, não compreendo como se quer acabar agora com o eléctrico 18. A zona ribeirinha e os bairros históricos deviam ser uma prioridade.